segunda-feira, dezembro 06, 2010

A Familia Trapo, o Melhor Programa de Humor da TV

A Família Trapo foi um programa humorístico da televisão brasileira dos anos 60. O elenco só tinha estrelas: Otelo Zeloni era Pepino Trapo, o patriarca italiano casado com Helena, vivida por Renata Fronzi. O cunhado de Helena, Carlo Bronco Dinossauro, personagem de Ronald Golias, era uma verdadeira figura, pois não trabalhava e vivia com a família, que ainda tinha os filhos de Pepino e Helena, Verinha (Cidinha Campos) e Sócrates (Ricardo Corte Real). Bronco não queria saber de pegar no batente e armava as maiores confusões quando o assunto era trabalho. O mordomo era Gordon, papel de ninguém menos que Jô Soares. A direção era de Nilton Travesso, Manoel Carlos e Tuta de Carvalho. Os textos eram escritos por Carlos Alberto de Nóbrega, Manoel Carlos e Jô Soares. O programa era apresentado nas noites de sábado, às 19 horas, mas não era ao vivo. As gravações, em única sessão, aconteciam no Teatro Record ou Teatro Paramount, às sextas-feiras. O público lotava o teatro, mesmo com cobrança de ingressos. Segundo relatos do elenco, muita gente ficava de fora.
O nome Família Trapo foi inspirado da família von Trapp, do filme A Noviça Rebelde (The sound of music). Era uma família confusa e divertida, que vivia em volta do Carlos Bronco Dinossauro , que era irmão de Helena Trapo, a mãe. Era o cunhado folgado. Tinha como sua vítima maior o seu cunhado Peppino Trapo o pai. Verinha, a filha e o filho Sócrates e o mordono Gordon, que era o Jô Soares. Os episódios giravam em torno do Bronco, que implicava com todos os componentes da família. Brincava com o Peppino Trapo, que a "..Itália era uma bota". E ainda falava que tinha "... uma fazenda em Mato Grosso, que era imensa e que media 7m x 4m". No especial em que aparece Pelé, que não é reconhecido por Bronco (que ainda por cima dá algumas dicas ao "Rei" de como jogar futebol), ele cantarola um hino fascista para irritar Zeloni. Este clássico episódio faz parte de um dos dois videotapes, que sobraram da Família Trapo. Receberam diversos convidados como os futebolistas Pelé (Santos), Raul Plasmann - (goleiro galã do Cruzeiro), e atual comentarista esportivo da Rede Globo; e os cantores Roberto Carlos, Elis Regina etc. Sonia Ribeiro fez participação especial como arrumadeira da família.
Ontem e hoje: Golias, Jô Soares, Renata
Fronzi. Otelo Zeloni, Cidinha Campos e
Ricardo Corte Real.
As apresentações eram "ao vivo", e os improvisos iam "ao ar", deixando o programa mais engraçado ainda. Num dos episódios que estava sendo feito e gravado, era a última cena do programa e o Golias dava um tiro, e o tiro falhou. Então, o Nilton Travesso um dos diretores do programa, entrou no palco e pediu ao público: dá para vocês rirem de novo? Por que nos temos que dar este tiro de novo. A platéia era animada e enchia as dependências do Teatro Record-Consolação. Aliás, o povo aglomerado parava a rua da Consolação. Após um incêndio o programa passou a ser feito nos estúdios da TV Record (na avenida Miruna), e depois no Teatro Record-Centro, ex-Teatro Paramount e atual Teatro Abril, em São Paulo. O programa foi líder de audiência no horário, durante três anos consecutivos. As garotas ficavam na saída do teatro esperando o Socrátes (Ricardo Corte Real) sair pela porta dos artistas, para ser agarrado por elas. Um dos improvisos mais engraçados de Ronald Golias ocorreu quando Jô Soares, fingindo ser um extra-terrestre, disse para o colega: "Irmão, eu vim para levá-lo para o caminho da verdade, irmão!" ao que Ronald Golias respondeu, "Não, por favor, não! Deixa-me aqui mesmo no caminho das mentirinhas que está bom!" No terceiro ano de exibição do programa apareceu na casa dos Trapos uma moça, chamada Assunta (Dercy Gonçalves), se apresentando como a noiva do Bronco. Ela ficou apenas dois meses em “A Família Trapo, mas em compensação os dois quase mataram seu público e os colegas de elenco de tanto rir. A gente não sabia o que fazia parte do texto e o que era improviso, principalmente quando se tratava dos dois humoristas.
O programa Família Trapo teve várias imitações, vindo de outros canais, principalmente a Rede Globo, que lançou A Grande Família, Toma Lá Dá Cá e Sai de Baixo. O escritor Manoel Carlos enviou um depoimento sobre o programa: - “A Família Trapo” foi um programa enriquecedor para todos nós que participamos dele. Não nasceu para ser o que acabou sendo, pois passou por várias transformações enquanto era elaborado. O resultado foi fruto de muita conversa, entre nós - realizadores -, e os autores Jô Soares e Carlos Alberto de Nóbrega. O programa continua dando muitos filhotes, alguns de grande sucesso, como “A Grande Família”, “Sai de Baixo” e agora pinta ser “Toma lá, dá cá”. É natural que um programa gere outros e não vejo nisso nada de negativo. Fui um dos produtores e diretores de “A Família Trapo” durante todo o tempo em que ela permaneceu no ar, pela TV Record. “Manoel Carlos”. É a opinião de alguém que entende do assunto. Porém, não podemos esquecer que aqueles foram momentos inesquecíveis da televisão brasileira e que dificilmente poderão ser substituídos. Quem não viu, talvez ache que estou exagerando, mas podem acreditar: era puro humor. Tanto que o programa ficou no ar durante quatro anos e até hoje sua formula é imitada.
José Ronald Golias ou simplesmente Ronald Golias (São Carlos, 4 de maio de 1929 — São Paulo, 27 de setembro de 2005) foi um humorista brasileiro, considerado um dos pioneiros da televisão no país. Nascido em família humilde, era filho de Conceição D'Aparecida Golias e Arlindo Golias. O pai, fã do artista Ronald Colman, resolveu chamar o filho de Ronald. Na hora do batismo, no entanto, o padre teria implicado pois o nome não tinha vínculos com bíblia. Decidiu-se então que ele chamaria-se José Ronald. Sua estréia nos palcos foi aos 8 anos de idade, como artista amador, na Escola Dante Alighieri em São Carlos. Em abril de 2004, Golias sofreu uma cirurgia para a implantação de um marcapasso. No mês seguinte voltou a ser internado em razão de um coágulo no cérebro. Seu estado de saúde a partir de então passou a se agravar. Em 8 de setembro de 2005, Golias foi internado no Hospital São Luiz, em São Paulo. Com quadro de infecção pulmonar, ele viria a morrer no final do mesmo mês em decorrência de uma infecção generalizada. Foi sepultado no Cemitério do Morumbi. "Minha missão é fazer as pessoas rirem. Costumo dizer que somos carteiros: temos a missão de entregar, temos de evitar que a carta". “ O brasileiro gosta de ver e ouvir. Assim a coisa fica mais engraçada". “ Não sou de escrever, tenho preguiça”. “ Não é porque o humorista faz os outros rirem que ele deve ser um tipo engraçado o tempo todo. Eu sou assim, meio triste”. Ronald Golias. Até a próxima.
edudoroteu@gmail.com

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